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Áreas mais humanizadas da Medicina: saiba quais são!

Olho no olho, consultas prolongadas, adaptação da linguagem à compreensão do paciente. Estas são algumas das características que fazem parte da humanização no atendimento médico, mas existem muitas outras, que abordaremos neste artigo. Embora as práticas da Medicina Humanizada possam ser empregadas em todas as especialidades, existem algumas que têm se destacado em transformar o dia a dia de seus pacientes.

Continue a leitura para saber quais são essas áreas, suas particularidades e como seus profissionais atuam.

Cuidados Paliativos

A abordagem dos cuidados paliativos já é, em sua essência, humanizada. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), essa especialidade consiste na “assistência promovida por uma equipe multidisciplinar, que objetiva a melhoria da qualidade de vida do paciente e de seus familiares”. Isto é, muito mais do que conhecer a doença da qual a pessoa está sofrendo, é preciso aprender sobre os hábitos, as crenças e os desejos mais íntimos dela.

Ao contrário do que muita gente imagina estes cuidados não são direcionados apenas a pessoas lutando contra o câncer e doenças degenerativas. Mesmo condições consideradas “mais simples”, como a hipertensão, afetam a rotina das pessoas que, para melhor se adaptarem, podem contar com a ajuda de uma equipe especializada. Nesses casos, os cuidados caminham lado a lado com os medicamentos. Esta também pode ser a realidade de pacientes soros positivo ou com insuficiência pulmonar, por exemplo.

Todavia, há sim os casos em que o tratamento da enfermidade em si não está nem em questão. Os cuidados paliativos são administrados em pacientes que já estão em fase terminal ou sem perspectiva de cura tanto quanto naqueles acometidos por doenças crônicas. Logo, toda a estratégia dos médicos, psicólogos, terapeutas ocupacionais e enfermeiros é voltada a auxiliar a pessoa a aproveitar com o máximo de integridade os momentos que ainda lhe restam.

Desde o diagnóstico, os profissionais da equipe procuram aliviar todas as dores, sejam elas físicas, psicológicas ou espirituais. Problemas de cunho social, que também podem surgir devido à doença, não são deixados de lado. E quando o paciente falece, os cuidados voltam-se aos familiares para que estes atravessem o período de luto da forma menos traumática possível.

Obstetrícia

Essa é a especialidade médica responsável pelo acompanhamento da gestação desde o pré-natal, solicitando exames e prescrevendo suplementos, até o nascimento do bebê. Atualmente, cada vez mais mulheres têm optado por partos humanizados. Ou seja, por abordagens médicas que levam em conta as preferências da mãe, seus medos e suas opiniões, não apenas no dia do procedimento, mas durante a totalidade dos nove meses.

Antes, a principal diferença entre os procedimentos limitava-se entre: normal e cesárea, sendo o primeiro caracterizado pela saída do bebê através do canal vaginal e o segundo pela intervenção cirúrgica. No entanto, mesmo quando a mulher optava por não entrar na faca, ainda sobravam duas opções: utilizar anestesia ou não. Neste último caso, o nome certo para o método é parto natural.

Já na década de 1970, surgiu a primeira maneira de conduzir nascimentos de forma não violenta. O método foi desenvolvido pelo médico francês Frédérick Leboyer, autor do livro Nascer Sorrindo, e trouxe uma série de alterações considerando o bem-estar do bebê. Entre elas estão:

Ambiente com pouca luz e aquecido;
Silêncio após o nascimento;
Banho perto da mãe, com permissão para que o pai realize;
Corte do cordão umbilical apenas depois que este para de pulsar (cerca de 3 minutos);
Amamentação precoce.
Desde então, muitas outras abordagens foram introduzidas no leque de opções para as mães, inclusive, fora do ambiente hospitalar. No fim das contas, a expectativa é de que no futuro a medicina humanizada se sobreponha aos números de violência obstétrica no Brasil.

Medicina de Família e Comunidade

Uma vez pronto, o médico de família e comunidade (MFC) deve adaptar-se à realidade dos pacientes que irá atender e não o contrário. Este é um dos princípios dessa especialidade, cuja essência é a humanização da saúde. Manter-se aberto à influência da comunidade é o que fará desse profissional o melhor para as pessoas que vivem dentro dos mais específicos contextos socioambientais.

Consultas de 15 minutos e agenda lotada? Nada disso existe para quem escolheu essa especialidade após a graduação. A medicina da família e comunidade é baseada em vínculos de confiança, que, obviamente, dependem da existência de proximidade e empatia entre as duas partes. Assim, o médico seleciona uma quantidade limitada de pacientes, para os quais estará sempre disponível. Ao invés de consultar dezenas de pessoas por dia, de forma rápida, estima-se que um MFC no SUS seja responsável pela saúde de até 4 mil pessoas, por longos períodos de tempo.

Tolerância, sinceridade e compaixão são outras características que todo MFC precisa desenvolver para que sua atuação seja verdadeiramente humanizada. As doenças trazem uma série de mudanças e obstáculos à vida das pessoas, que precisam receber tanta atenção quanto a própria enfermidade. Isso, porém, varia de acordo com a personalidade e com a história de vida de cada um. Encontrar a forma certa de auxiliar os pacientes, em suas singularidades, faz parte da trajetória desse profissional.

Humanização como alicerce e não, telhado

É comum ver profissionais da Medicina e docentes tratando a humanização não como um valor, mas, uma técnica que pode ser aprendida de uma hora para a outra. E, mais uma vez, a Afya mostra que é diferenciada quando se trata de ensino e prática médica. Acreditamos que a medicina humanizada é a base da saúde e que, portanto, deve ser o ponto de partida de todo atendimento médico. Afinal, acima do profissional, nós somos humanos.

Por esse motivo, convidamos você a participar do 59º Congresso Brasileiro de Educação Médica (COBEM) que, esse ano, homenageia Paulo Freire. A Medicina Humanizada faz parte das linhas de pesquisa da temática proposta: “Educação médica transformadora: revisitando o passado, vivendo o presente e esperançando o futuro”. E a Afya será representada por 127 trabalhos, entre professores e acadêmicos das nossas14 unidades espalhadas pelo país. Inscreva-se!

O evento será on-line e acontecerá de 18 a 22 de setembro. Clique aqui para participar.


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